Na linha de frente das soluções para os desafios mais críticos da humanidade, as deep techs são a nova fronteira da inovação global. E tanto a América Latina quanto a Europa estão posicionadas de forma estratégica para liderar essa transformação. Em comum, essas regiões compartilham desafios e oportunidades singulares que, se bem aproveitados, podem alavancar um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico, soberania tecnológica e impacto global.
América Latina: um celeiro de ciência com potencial global
A América Latina abriga hoje mais de 1.200 deep techs, sendo que 25% delas já receberam investimento institucional e juntas somam um valuation superior a US$ 8 bilhões. Segundo o relatório “Deep Tech: the New Wave” do BID, o ecossistema regional cresceu 44 vezes em investimentos de venture capital entre 2020 e 2022. O Brasil lidera o potencial de expansão, concentrando 77% dos pesquisadores da região, 58% das patentes e 47% dos artigos científicos publicados, mas com apenas 33% das startups deep techs mapeadas.
Esse descompasso é também uma oportunidade: com custo de capital humano 5 a 10 vezes menor que países desenvolvidos, alta biodiversidade, infraestrutura científica instalada e crescente integração entre academia e mercado, a América Latina pode se tornar um celeiro global de deep techs.
Casos como a Peptidus, que desenvolve terapias a partir de RNA para saúde animal no Brasil, ou a Satellogic, que cria plataformas de observação da Terra na Argentina, mostram como tecnologias de fronteira estão surgindo da região para o mundo.
O Deep Tech Summit 2025, que ocorrerá nos dias 29 e 30 de setembro em São Paulo, será a principal vitrine para essas startups, reunindo mais de 2 mil participantes, incluindo fundos, corporações e governos de diversos países.
Europa: liderança científica com desafios de mercado
a Europa, as deep techs têm ganhado protagonismo em setores como energia, defesa, biotecnologia, computação quântica e materiais avançados. Em 2022, o continente concentrou mais de €18 bilhões em investimentos no setor, 18 vezes mais do que uma década antes. Universidades como Oxford, ETH e Cambridge alimentam o pipeline de inovação, enquanto governos aumentam os investimentos em P&D e defesa para impulsionar soluções de alto impacto.
No entanto, desafios semelhantes aos latino-americanos ainda estão presentes: dificuldade de licenciamento de tecnologias, gap entre seed e série A, e a necessidade de aproximar cientistas das demandas de mercado. O que mostra que, apesar da maturidade mais avançada, o caminho europeu também exige integração entre competência técnica, visão de negócios e formação de capital paciente.
Durante o Global Summit da Hello Tomorrow em Paris, startups como a Aptah (fundada por brasileiros, hoje sediada nos EUA) foram destaque com tecnologias como a RNA WiCo™, mostrando que mesmo soluções com DNA latino estão ganhando o mundo por meio de estruturas internacionais — evidência da relevância global que pode ser alcançada com o suporte certo.
Quando ecossistemas se conectam, a inovação acelera
América Latina e Europa compartilham mais do que desafios: compartilham potenciais complementares. A primeira possui talentos e ativos naturais subutilizados; a segunda, capital e capacidade de escala. A primeira precisa de conexões globais; a segunda, de diversificação de fontes e modelos de inovação. O intercâmbio entre esses ecossistemas pode gerar sinergias poderosas.
Essas semelhanças e complementaridades ficam ainda mais evidentes quando analisamos o papel das universidades e centros de pesquisa. Em ambos os continentes, instituições acadêmicas são berços de inovação científica, mas enquanto a Europa possui estruturas mais maduras de transferência de tecnologia, a América Latina ainda enfrenta entraves regulatórios e escassez de profissionais voltados ao empreendedorismo de base científica. Por outro lado, o ecossistema latino se mostra mais resiliente e criativo na superação de barreiras, especialmente em relação à escassez de recursos privados.
Além disso, enquanto o ecossistema europeu é caracterizado por alto grau de especialização técnica, redes de apoio sofisticadas e presença ativa de fundos de venture capital deep tech, a América Latina se destaca por uma abordagem mais transversal, multidisciplinar e adaptativa. Isso gera startups mais versáteis e acostumadas a operar em contextos regulatórios incertos, o que pode ser uma vantagem competitiva em mercados emergentes.
Como transformar desafios locais em impacto global
Segundo o Relatório Deep Techs Brasil 2024, 70% das startups deep techs brasileiras ainda estão na fase de desenvolvimento da tecnologia, muitas delas enfrentando o “vale da morte” do investimento. A maioria dos recursos ainda vem de subvenções públicas, como PIPE-FAPESP e FINEP, e poucos fundos de VC estão dispostos a assumir riscos em inovação baseada em ciência.
É por isso que fomentar conexões com fundos especializados, ambientes de teste regulatório e iniciativas como a Converge torna-se tão relevante.
A plataforma da Emerge conecta startups deep techs com grandes empresas, investidores e instituições públicas, funcionando como um motor de tração para modelos de negócio de alto impacto e tecnologia de fronteira. Startups inscritas têm acesso a oportunidades como a Feira de Startups do Deep Tech Summit 2025 e prêmios como o Deep Tech do Ano.
Se sua startup está trabalhando com soluções disruptivas e quer ampliar suas conexões, validar tecnologia ou captar recursos, esse é o momento ideal para cadastrá-la.