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Bioeconomia do conhecimento: a próxima fronteira das deep techs no Brasil e na América Latina

Imagem dividida em duas partes: à esquerda, uma floresta; à direita, o interior de uma biblioteca. No centro, a palavra “Knowledge” em destaque, simbolizando o valor do conhecimento extraído da biodiversidade.

Nos últimos anos, a bioeconomia tem ganhado espaço no debate sobre inovação e sustentabilidade. O aumento da demanda global por soluções de baixo impacto ambiental e a busca por novas cadeias de valor colocaram o tema no centro da agenda científica e empresarial. Mas, em meio ao entusiasmo, um ponto essencial precisa ser reforçado: nem toda iniciativa ligada à biodiversidade é transformadora.

Há uma diferença fundamental entre tratar a biodiversidade como simples recurso natural e explorá-la como fonte de conhecimento científico capaz de gerar novas indústrias. Essa distinção está no cerne da chamada bioeconomia do conhecimento e explica por que o Brasil e a América Latina podem assumir um papel estratégico no mapa global das deep techs.

O que é bioeconomia do conhecimento e por que importa?

Na lógica tradicional, a biodiversidade é vista como insumo: madeira, grãos, extratos vegetais. O valor está no volume extraído. Já a bioeconomia do conhecimento propõe uma mudança radical: o verdadeiro ativo está nos genomas, moléculas e interações biológicas, que podem ser estudados, reproduzidos e transformados em soluções de alto valor.

Esse novo paradigma se conecta diretamente às deep techs, startups e tecnologias baseadas em ciência de fronteira, com ciclos longos de maturação, riscos técnicos relevantes e impacto potencial em múltiplos setores. Não se trata apenas de explorar, mas de criar conhecimento inédito que se traduz em produtos farmacêuticos, alimentos funcionais, materiais inovadores, cosméticos sustentáveis e bioinsumos agrícolas.

Segundo o DEEP TECH RADAR 2025, 43% das deep techs brasileiras já estão inseridas na bioeconomia, uma proporção que supera setores tradicionais como saúde, energia e manufatura avançada. Isso mostra que a região tem ativos científicos e empreendedores suficientes para se posicionar globalmente nessa agenda.

Gráfico mostra que 43% das deep techs brasileiras atuam em bioeconomia. Entre 2018 e 2022, setores com maior presença foram agroindústria (54,6%), química, óleo e gás (58,2%) e beleza (73%). Também aparecem saúde, alimentos e energia.

Do extrativismo à inovação baseada em ciência

Assim como na inteligência artificial há distinção entre aplicações de curto prazo e paradigmas disruptivos, na bioeconomia também existe essa diferença. Explorar a floresta como fornecedora de madeira é uma coisa; usar biotecnologia, biologia sintética e IA para desenvolver moléculas inéditas com aplicações em medicamentos ou novos materiais é outra.

É nesse segundo caminho que surgem modelos de negócio com maior impacto:

  • Novas cadeias produtivas, ao identificar ativos biológicos capazes de originar indústrias inteiras.

  • Expansão de valor, aproveitando resíduos e subprodutos para criar soluções de alto valor agregado.

  • Transformação biotecnológica, com redesenho de cadeias já existentes a partir de biotecnologia.

O DEEP TECH RADAR 2025 detalha exemplos já em operação: fitomedicamentos de jaborandi para glaucoma, óleos essenciais de açaí e castanha-do-pará, materiais ultraleves de micélio e biofertilizantes a partir do bagaço de cana.

O potencial econômico do Brasil

O Brasil reúne uma combinação rara: maior biodiversidade do planeta, forte produção científica sobre seus biomas e ecossistema de startups crescente. De acordo com o relatório, a bioeconomia do conhecimento pode gerar até US$ 100 bilhões em receita até 2032, distribuídos entre setores como:

  • Beleza: US$ 8–12 bilhões

  • Fármacos: US$ 12–20 bilhões

  • Agro: US$ 18–25 bilhões

  • Materiais: US$ 20–30 bilhões

  • Alimentos: US$ 40–50 bilhões

Esses números mostram que a biodiversidade, quando tratada como fonte de ciência e não apenas como insumo, pode se tornar um diferencial competitivo global.

Startups que já exploram essa fronteira

O Radar destaca algumas deep techs que ilustram essa transformação:

  • Symbiomics, que aplica genômica e machine learning ao desenvolvimento de biofertilizantes e biocontrole.
  • Peptidus Biotech, que cria peptídeos bioinspirados com IA para substituir antibióticos na pecuária.
  • Startups de biomateriais de micélio, que convertem resíduos agrícolas em materiais biodegradáveis para substituir plásticos.

 

Esses casos reforçam a ideia de que a biodiversidade pode ser convertida em negócios escaláveis, atraindo investimento global e reposicionando a América Latina no mapa de inovação científica.

Biodiversidade como alavanca de transformação

O Brasil e a América Latina têm diante de si uma oportunidade única: transformar sua biodiversidade em ativo estratégico de inovação, capaz de gerar riqueza, sustentabilidade e liderança tecnológica. A bioeconomia do conhecimento não é apenas uma agenda ambiental, mas um vetor econômico que pode redefinir cadeias produtivas inteiras.

Para acompanhar de perto as startups e líderes que estão desenhando esse futuro, participe do Deep Tech Summit 2025, o principal encontro sobre deep techs da América Latina.

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