Tovem Biotech: engenharia biomédica aplicada para otimizar o desenvolvimento de fármacos

A história da Tovem Biotech, startup focada em auxiliar na descoberta de efeitos adversos de moléculas utilizadas na produção de fármacos.        

Em um mundo ideal, três engenheiros elétricos formados pela Escola Politécnica da USP se aventurariam na fisiologia e biologia do sistema cardiovascular para buscar soluções inovadoras aplicáveis no desenvolvimento de novos medicamentos?

Graças ao fato da realidade ser cheia de incertezas, dificuldades, dúvidas e contar com uma boa dose de idealismo, curiosidade e vontade de fazer a diferença, três politécnicos trilharam um caminho nada convencional e se uniram para criar uma startup e empreender. Esta é a história da Tovem Biotech.

Cardiomiócitos em cultura observados em um microscópio de fluorescência.

Vamos conhecer um pouco da história de uma empresa de biotecnologia 100% brasileira que pretende revolucionar a produção de novos fármacos!

A Tovem Biotech é uma startup da área da saúde que desenvolve dispositivos e sistemas eletrônicos para auxiliar na descoberta e na avaliação de novos fármacos aplicando técnicas recentes de aquisição e processamento de dados e modelos celulares baseados em células humanas. Com foco nos métodos alternativos e de alto rendimento para avaliação da segurança farmacológica cardiovascular, a empresa vem desenvolvendo serviços que auxiliam a indústria farmacêutica a entender melhor o efeito de compostos em células cardíacas humanas nas fases iniciais da pesquisa e testes de novos medicamentos.

Embora a ideia de criar a startup tenha surgido no início de 2018, não é difícil perceber que o desejo de trabalhar com desenvolvimento e empreender estava presente em nós há muito tempo. Sempre fomos apaixonados por ciência e tecnologia, éramos curiosos em entender como as coisas funcionavam e como podíamos melhorá-las. No entanto havia algo diferente, apesar da afinidade natural com as matérias de exatas muitas vezes ter ofuscado nosso interesse em biológicas, hoje em dia temos convicção de que o desejo de entender o funcionamento do corpo humano, a genética e a origem da vida tiveram papel fundamental para nos guiar em direção ao doutorado em engenharia biomédica em linhas de pesquisa muito próximas da fisiologia e biologia celular.

Daniel Torres, Doulgas Veronez e Gustavo Marchini (sócios-fundadores da Tovem).

A trajetória de cada um dos sócios da Tovem é bastante particular, porém cheia de eventos comuns que justificam a afinidade e o bom alinhamento da equipe. Nós fizemos curso técnico em áreas de tecnologia, porém sentíamos que estudar mais era necessário, e por que não estudar na USP? Sempre fomos bons alunos e a persistência para correr atrás dos sonhos é outra característica que compartilhamos, após 2 anos de cursinho pré-vestibular ingressamos na Escola Politécnica da USP em 2007. Foi nesse ambiente que nos conhecemos, porém, a proximidade maior surgiu a partir do terceiro ano do curso, quando finalmente escolhemos a habilitação engenharia elétrica com ênfase em sistemas eletrônicos.

Concluir o curso na Poli não foi tarefa fácil, o currículo extremamente generalista, com uma imensa carga horária, focado no formalismo matemático e técnico algumas vezes nos deixou desmotivados e gerou questionamentos sobre as escolhas que fizemos. Porém, novamente a persistência se fez presente e junto com o apoio dos amigos e da família permitiu que nos formássemos no final de 2011.

Finalmente estávamos prontos para começar a mudar o mundo! Era o que pensávamos, mas logo percebemos que o mercado de engenharia no Brasil não era o que esperávamos. Estávamos interessados em trabalhar com desenvolvimento na área de engenharia biomédica, entretanto poucas empresas faziam pesquisa e desenvolvimento no país. Diante deste cenário, decidimos nos aventurar em um doutorado direto para nos especializarmos em pesquisa científica na área de Engenharia Biomédica, mesmo sabendo que financeiramente esta não era nossa melhor alternativa.

A vivência no laboratório durante o doutorado foi essencial para desenvolver habilidades multidisciplinares e aproximar da aplicação dos métodos de engenharia na fisiologia e biologia.

Ingressamos no doutorado pela Escola Politécnica e começamos a fazer pesquisas na Divisão de Bioengenharia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde havíamos feito estágio durante o último ano da graduação. Nossa orientadora sempre valorizou a pesquisa com um viés para aplicação, se possível atendendo a alguma necessidade da população mais carente e dependente do SUS. Essa abordagem e o ambiente do InCor nos permitiu trabalhar em projetos de relevância para a população ao mesmo tempo em que estávamos muito próximo da aplicação das nossas pesquisas.

Vivenciamos o ambiente da pesquisa acadêmica por 6 anos e ao fim do doutorado estávamos ao mesmo tempo encantados com o que é possível fazer com pesquisa científica e desapontados com a inúmera quantidade de projetos que ficavam na gaveta das universidades depois de prontos, como se a única relevância deles fosse a produção de artigos científicos. Percebemos então que nosso lugar não era na academia e entendemos finalmente que nosso papel era trabalhar tirando as tecnologias da gaveta e levando para o mercado!

Neste momento o universo do empreendedorismo surgiu diante de nós, parecia maravilhoso, poderíamos trabalhar com pesquisa e desenvolvimento de tecnologias úteis para a indústria e para melhorar a vida das pessoas. Começamos a ler sobre o assunto e a mapear eventos para startups ainda sem ideia de projeto e logo notamos que o caminho era nebuloso, completamente desconhecido para nós e que segui-lo exigiria um esforço gigantesco, principalmente para um pesquisador acostumado a lidar apenas com a área acadêmica e sem nenhum conhecimento de empreendedorismo.

Novamente decidimos encarar o desafio e aprender a empreender. Começamos a estudar e definimos um projeto. Após cerca de 6 meses trabalhando na criação da Tovem, que não passava de uma ideia sem nome, participamos de um Meetup em que empreendedores contaram sua experiência e neste evento conhecemos a proposta do Emerge. Nosso primeiro contato foi tímido, porém ficamos curiosos em entender exatamente o que era o programa Emerge Labs.

Depois deste primeiro encontro o processo foi bem rápido, a equipe do Emerge se mostrou muito competente em atrair cientistas com desejo de empreender, utilizando um discurso alinhado com nossa realidade acadêmica e ao mesmo tempo demonstrando domínio do meio empreendedor. Participamos do processo de seleção, fomos aceitos e iniciamos uma das experiências mais intensas e transformadoras das nossas vidas.

Participando das atividades do Emerge Labs fomos adquirindo conhecimentos de uma forma bastante dinâmica sobre os principais aspectos que aumentam as chances de sucesso de um negócio, desde o contato inicial com possíveis clientes para validar a ideia até a proteção de propriedade intelectual e elaboração de contratos. Isso tudo sem falar do mais importante que foi o contato com pessoas que estavam na mesma situação que nós, querendo levar o conhecimento da bancada para o mercado. Ao longo dos meses de treinamento a relação com a equipe da Emerge e com as outras startups foi tão intensa que nos tornamos uma espécie de família, podíamos contar com pessoas que entendiam as nossas dificuldades e nos apoiavam de todas as maneiras, independente das incertezas.

Estamos vivendo a era das startups, em que a grande indústria já percebeu que a inovação mais acessível e com maior potencial disruptivo surge nestas pequenas empresas. O processo burocrático para abrir uma startup de base científica não é diferente de qualquer outro negócio, porém, para que estas empresas tenham chances reais de serem destaque no mercado nacional e internacional, iniciativas como a Emerge são 100% fundamentais.
Participar do Emerge Labs 2018 foi uma experiência engrandecedora e incomparável que nos permitiu, nesse ainda breve caminho no mundo do empreendedorismo, adquirir uma maturidade impensável em poucos meses.

As microplacas para culturas de células fazem parte do dia a dia da Tovem Biotech. Foto: arquivo pessoal.

Hoje a Tovem Biotech está incubada no Cietec-USP junto com mais de 100 startups, muitas delas colegas também graduados pelo Emerge. Após 6 meses da conclusão do Emerge Labs, nos sentimos mais conscientes e preparados para seguir aprendendo e contribuir com um ecossistema inovativo que além de criar soluções para os mais diversos problemas do mundo é essencial para favorecer o desenvolvimento econômico do país.

Conseguimos depositar nossa patente, recebemos investimento da FAPESP, formalizamos a empresa e trabalhamos juntos, todos os dias, para desenvolver o produto final. E agora podemos dizer que já entregamos as melhores soluções para nossos clientes!

Daniel S. Torres, PhD em Engenharia Biomédica, Emerge Fellow e Diretor de Tecnologia da Tovem Biotech.

Douglas M. Veronez, PhD em Engenharia Biomédica, Emerge Fellow e Diretor de PD&I da Tovem Biotech.

Gustavo S. Marchini, PhD em Engenharia Biomédica, futuro pai da Emi, cientista empreendedor, Emerge Fellow e Diretor Comercial e Financeiro da Tovem Biotech.

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